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Quem lidera que?


Estava eu tomando o café da manhã num hotel de frente à orla da praia, no Rio de Janeiro, quando me deparei com a seguinte cena:

Um homem alto, de cabelos brancos, corpo atlético, vestindo camiseta, bermuda, e sandálias, passeava com seu cão no calçadão da praia, no início da manhã.
A cena teria passado despercebida por mim, a não ser pelo fato daquele homem haver, pacientemente, parado em cada poste para que seu cão marcasse território.

Dando asas à minha imaginação, comecei a elaborar um roteiro estabelecendo uma interação estruturada entre aqueles dois personagens:
Assim, a figura esbelta daquele homem assumiu, em minha mente, a posição de um coronel reformado do exército, dado seu porte atlético e seus cabelos brancos.

Mantendo a vida disciplinada adquirida ao longo dos anos de caserna, havia se acostumado a levantar cedo para fazer seu exercício matinal.
Porém, agora, ao invés de ter um batalhão de soldados sob suas ordens, sua caminhada só não era solitária porque se fazia acompanhar por seu fiel companheiro, um perdigueiro condecorado em várias exposições caninas.

Definido o primeiro personagem, comecei a conjecturar sobre a seguinte questão: como um militar de tão alta patente, acostumado a ser estritamente obedecido em sua voz de comando, comportava-se agora de maneira resignada ao andar no ritmo ditado pelo seu cão, não obstante encontrar-se o animal na coleira, supostamente dirigida pelo militar. Foi então que fiz a indagação que empresta o título a este artigo: “quem lidera quem?

REFLEXÕES:

  1. Há pessoas que exercem uma autoridade oriunda de uma posição hierárquica.
  2. Há outras que exercem o poder pessoal, independente de uma autoridade formal.
  3. Às vezes, ocorre de uma mesma pessoa reunir a autoridade formal conciliada com o poder pessoal.
  4. Por outro lado, nem sempre a autoridade formal garante poder suficiente para que uma pessoa exerça um papel de liderança.
  5. Pode-se dar o caso de haver uma relação tipo “dominação/passividade”, em que os papéis são imutáveis.
  6. Qual seria, então, a utilidade de um organograma que descreve de maneira fixa a autoridade formal dentro de uma organização?
  7. A resposta a esta pergunta remete ao estudo sobre a origem de um organograma, atribuída a duas instituições: a) ao Exército da Prússia e, b) à Igreja Católica.
  8. É fácil entender que, em ambos os casos, o organograma tem mais a ver com a ordem que garante a continuidade de uma organização do que a fluidez das decisões para a solução de problemas e o atingimento de objetivos.
  9. Acresça-se, ainda, que no caso do exército não há lugar para diagramar o CLIENTE no organograma, já que um exército não tem cliente, só INIMIGOS.
  10. Esta distorção acabou passando para a maioria das empresas que, até hoje, não incluem o cliente em seus organogramas, numa autêntica miopia de marketing, uma vez que o cliente é a razão de ser de toda organização.

CONCLUSÕES:

O ideal é que pudessem conviver duas realidades complementares: a autoridade formal (descrita num organograma) e outra informal, onde o poder é situacional.

Um exemplo prático da realidade acima mencionada é a estrutura matricial adotada em muitas organizações, conciliando a autoridade formal, permeando a organização no sentido vertical através e estruturas funcionais e, no sentido horizontal, as equipes de projetos, podendo ser estas de caráter permanente ou parcial.

Há casos em que, numa equipe de projeto, uma pessoa de nível hierárquico superior venha a ser coordenada por alguém que lhe é subordinada na estrutura formal.

Finalmente, se considerarmos o exercício da liderança como um fenômeno que transcende ao exercício formal da autoridade, chegaremos à conclusão de que se trata de uma capacidade rotativa entre os membros de uma equipe ou organização com vistas ao atingimento de objetivos, como por exemplo, equipes autodirigidas.

Américo Ferreira
Atua desde 1995 em Consultoria Empresarial.
Neste período atendeu 130 empresas clientes.


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